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Vocação, o chamado direto de Deus

No ano de 1981, durante a 19ª Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros, agosto foi instituído o mês vocacional. Durante esse mês, a Igreja do Brasil é convidada a rezar a cada semana por uma vocação específica. As vocações instituídas pela Igreja são quatro, vocação sacerdotal, vocação matrimonial, vocação à vida consagrada e a vocação laical. Em 2022, o tema escolhido para a celebração do mês vocacional é “Cristo Vive! Somos suas testemunhas” e o lema: “Eu vi o Senhor!” (Jo 20,18).

Nesta primeira semana rezamos pelas vocações sacerdotais. No dia 4, celebramos o Dia do padre. Para falar sobre a graça de viver essa vocação, convidamos o padre francês que está há aproximadamente 50 anos no Brasil, boa parte desse tempo na Arquidiocese de Goiânia, monsenhor Jean Auguste Louis Biraud ou padre Jean Biraud, como gosta de ser chamado.

Padre Jean Biraud completou 70 anos de sacerdócio em dezembro de 2021. Para ele, ser padre é ser útil e ter a felicidade de ser fiel a Deus e servir à sua comunidade. Além disso, ele explicou como mantém viva a chama da vocação diariamente, para que não desanime da caminhada. Ele falou que age sempre com muita humildade e reconhece que o agradecimento pela graça precisa ser diário. Ele ainda explica que é preciso “viver a alegria de uma comunidade sempre pronta a partilhar tudo: momentos bons e aqueles que trazem sofrimento também. O sofrimento ensina muito”.

O sacerdote explicou que não gosta de contar os anos, gosta de viver a animação de servir. “A palavra servir é aquela que me conhece tão bem”, enfatiza. Ele diz que se sente muito amado por Deus e pela comunidade e expressou que é uma felicidade poder chegar aos 95 anos de idade e 70 anos de sacerdócio podendo ainda celebrar.

Os anos de experiência também se tornam um testemunho de fé, testemunho de suma importância para os jovens que estão em busca de sua vocação. O padre conta que é necessário que o jovem preste atenção nos detalhes do dia a dia, para reconhecer e atender ao chamado de Deus. “Deus não vai gritar com você. Por isso, é preciso compreender os acontecimentos deixando o Espírito Santo agir. Eu fui chamado muito cedo, apenas com 10 anos. Deus me convidou através de um padre velho, não tanto como eu, mas me acolheu com tanto amor e cuidado… só podia ser a presença de Deus!”

Não é fácil viver a vocação, pois as provocações e desanimações existem. Isso acontece tanto com os padres que possuem muitos anos de sacerdócio quanto com padres mais jovens. O monsenhor Jean agradece a todos do clero que o ajudaram a chegar até aqui e aconselha: “Permitam-se fazer aquilo que dá sentido à vida. Estou falando do verdadeiro sentido, não de coisas fúteis. E, apesar de tudo, sejam sempre exemplos de grande alegria. É o que falta muito, até em nossas cerimônias religiosas. O que conta, afinal, é estar sempre pronto a uma convivência fraterna, tanto na família clerical quanto na família comunidade”.

Já aos padres jovens de caminhada, o monsenhor deixa uma mensagem de ânimo. “Você, jovem padre, esteja sempre disposto a servir. O serviço estabelece os laços da entrega e do receber, assim nunca estarão sozinhos. Quem se fecha a si próprio desperdiça a própria vida. Ser padre é muito bom, se não fosse, Deus não teria me deixado aqui até hoje não”, finaliza.

Vocação Matrimonial
A segunda semana de agosto é dedicada à Vocação Matrimonial. O casamento é um presente deixado por Deus, assim como é narrado no livro de Gênesis. “Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, se une à sua mulher, e eles se tornam uma só carne (Gn 2,24)”. O catecismo da Igreja Católica diz: “A aliança matrimonial, pela qual o homem e a mulher constituem entre si uma comunhão da vida toda, é ordenada por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à geração e educação da prole, e foi elevada, entre os batizados, à dignidade de sacramento por Cristo Senhor” (CIgC, 1601).

Lecia Abdel Jabbar e Marcos Antônio Costa são casados há 23 anos, e têm cinco filhos. Pelo tempo de vida juntos, já enfrentaram muitas dificuldades, por isso, para eles, o ditado que diz que o casamento santifica, é uma verdade. Segundo Lecia, em cada fase da vida matrimonial há uma dificuldade. “No início, é a toalha molhada em cima da cama, o sapato que não colocou no lugar, uma roupa jogada no meio da casa”. Mas, ao passar dos tempos, essas dificuldades são cessadas, “conforme a gente vai crescendo e amadurecendo, as dificuldades vão sendo tiradas do caminho por meio do diálogo”. Para ela, esse é o segredo, a conversa entre o casal, conseguir entender pelos pequenos detalhes a hora certa de se conversar e resolver os problemas do cotidiano.

Olhando o longo caminho que fizeram juntos, o casal acredita que, além da família, o mais importante que construíram juntos foi a cumplicidade, a ponto de, por um olhar, saber o que o outro precisa ou pelo o que está passando. Isso faz com que o amor se fortifique e solidifique. “Com o passar do tempo, realmente, a gente se torna uma só carne”, aponta a esposa. Lecia explica ainda o segredo para uma união longa e feliz, “primeiro é Deus, depois o amor, o respeito, o diálogo e a compreensão”, e completa, “um precisa rezar pelo outro”.

Para os jovens casais, Lecia e Marcos aconselham a colocar Deus como fundamento do casamento. “Coloque Deus como centro de tudo na vida. Essa relação tem que ser um tripé, o marido, a esposa e Deus”. E complementam, “não case para ser feliz, case para fazer o outro feliz. Case para se entregar ao outro sem reserva”.

Vida Religiosa
A terceira vocação que a Igreja reza em agosto é a Vocação à Vida Consagrada. Segundo o catecismo, “o estado da vida consagrada aparece, portanto, como uma das maneiras de conhecer uma consagração ‘mais íntima’, que se radica no Batismo e se dedica totalmente a Deus. Na vida consagrada, os fiéis de Cristo se propõem, sob a moção do Espírito Santo, a seguir a Cristo mais de perto, doar-se a Deus amado acima de tudo e, procurando alcançar a perfeição da caridade a serviço do Reino, significar e anunciar na Igreja a glória do mundo futuro” (CIgC, 916).

Lucilda Borges Cantuária tem 21 anos de vida religiosa na congregação Mãe Dolorosa. Para ela, a confissão e a penitência a ajudam a se manter firme em sua vocação. “Para me manter firme na vocação, me ajuda muito a minha comunhão íntima com o Senhor. Quanto mais me aproximo de Deus, quanto mais me mantenho com ele na centralidade, mais me torno disponível para responder à sua vontade na minha vida”, explicou.

A irmã aconselha aqueles que querem também seguir uma vida consagrada. Para ela, é preciso se desprender e ter a disposição para atender ao chamado de Deus. Além disso, é necessário que a pessoa fique atenta aos sinais que são colocados na vida durante o dia a dia. “A primeira coisa necessária é o desprendimento da própria vontade e o querer se colocar no lugar do outro, a doação. Saber que o Deus que chama é o mesmo que nos fortalece a cada dia”, e diz ainda, “Então, jovem, não tenha medo de dizer sim para o projeto de Deus”.

Vocação Laical e Ministério da Catequese
Por fim, no último domingo, a celebração é dedicada aos leigos. Nesse dia, também é comemorado dia do catequista. A Vocação Laical se refere a todas as pessoas, pois todos têm um chamado. É fundamental que o leigo trabalhe na vida, na missão da Igreja e na sociedade. De acordo com o Catecismo, nos parágrafos 905 e 906, “Os Leigos exercem sua missão profética também pela evangelização, ‘isto é, o anúncio de Cristo pelo testemunho da vida e pela palavra’[…] Os leigos que forem capazes e que se formarem para isto podem também dar sua colaboração na formação catequética, no ensino das ciências sagradas e atuar nos meios de comunicação social”.

No ano de 2021, no dia 10 de maio, o Papa Francisco instituiu o ministério da Catequese. Na Carta Apostólica sob forma de “Motu Próprio” Antiquum Ministerium, no n. 2, o Santo Padre explicou a importância do novo ministério. “A Igreja quis reconhecer este serviço como expressão concreta do carisma pessoal, que tanto favoreceu o exercício da sua missão evangelizadora. Olhar para a vida das primeiras comunidades cristãs, que se empenharam na difusão e progresso do Evangelho, estimula também hoje a Igreja a perceber quais possam ser as novas expressões para continuarmos a permanecer fiéis à Palavra do Senhor, a fim de fazer chegar o seu Evangelho a toda a criatura”.

Roniel Santos da Silva tem 26 anos e, há seis anos aproximadamente, serve na Paróquia São João Batista. Atualmente ele é coordenador da Pastoral da Comunicação da Igreja.  Ele explicou que começou a servir logo no início do seu namoro com sua atual esposa, após um convite dela para participar de uma das comunidades da paróquia. “Ela me levou para a Comunidade São José Operário e fui gostando em poder ajudar. Então veio o chamado para a Pastoral da Liturgia. No começo fiquei com medo, mas coloquei nas mãos de Deus e deu tudo certo”.

Sobre as dificuldades que surgem com o “sim” da sua vocação, ele explicou que geralmente estão relacionadas às tarefas do cotidiano. Por isso, ele sempre busca se atentar para que Deus sempre esteja sempre à frente. “Temos que pedir a Deus para que possamos sempre atravessar as dificuldades com amor e carinho, para que possamos fazer o nosso melhor”, enfatiza. Ele ainda aconselha aqueles que não conseguiram dizer “sim” à sua vocação. “O conselho que eu dou é de se entregar a este chamado, de não ter medo de servir a Igreja, de estar servindo a Deus, porque é um sentimento único, o de estar perto de Deus”, finaliza.

Suzany Marques
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