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Dona Glória, brusquense que é catequista há 60 anos

A vida profissional de Maria da Glória Almeida, de 79 anos, começou cedo. A moradora da comunidade Nossa Senhora de Fátima, no bairro Jardim Maluche, iniciou carreira como professora aos 16 anos em Brusque. Porém, para além das salas de aula, ela dedicou parte da vida a um propósito de fé: o catecismo.

Sempre ligada à religião católica apostólica romana, a brusquense explica que a devoção começou na infância. Na época, ela, os pais e os nove irmãos moravam no bairro Limoeiro e iam diariamente até a igreja Santa Teresinha para receber os sacramentos e participar da santa missa.

Em casa, eles rezavam o terço ao redor da cama. “A gente cresceu assim. Na nossa igreja, hoje a Paróquia Santa Teresinha, tinha catequese com o padre João da Cruz, hoje falecido. Eu tinha sete anos, deveria ser em 1950, quando comecei na igreja a participar de catecismos”, conta.

Quando começou a lecionar como professora, dona Glória atuava em uma turma de primeira série e dava aulas de ensino religioso. “Nós já ensinávamos o catecismo. Mas na igreja, como catequese, a gente chamava de doutrina”, explica.

Ela aponta que começou a ser catequista aos 20 anos de idade, quando era professora na Escola Francisco Araújo Brusque. A unidade de ensino, na época, funcionava no Colégio Cônsul. “A escola era do estado e ainda não tinha sido construída, hoje ela fica no bairro São Luiz”, detalha.

Glória ressalta a influência de Maria Teresinha Ramos Krieger Merico, irmã do bispo Dom Murilo, que também da escola. “Ela via que eu tinha bastante fundamento religioso e me convidou para ser catequista na igreja matriz São Luiz Gonzaga, onde eu comecei a dar catequese com turmas para a primeira eucaristia. A gente trabalhou por um ano na turma”, relata.

Após isso, a brusquense começou a dar catequese na escola Dom João Becker, perto de casa. Neste período, o filho João Carlos Almeida já tinha nascido e, quando completou 7 anos, foi catequizado pela mãe. Hoje, ele é conhecido como o padre Joãozinho. “Eu tenho orgulho de ter sido catequista de tantos padres, irmãos e catequistas”, diz.

Glória também destaca que o diácono Ideraldo Paloschi, cofundador da Comunidade Bethânia, também foi catequizado por ela na comunidade Nossa Senhora de Fátima. “São histórias que começaram muito cedo no berço e que ainda continuam nos meus 79 anos. É uma história de vida”, completa.

Glória foi a primeira coordenadora da catequese da capela Nossa Senhora de Fátima. “Ela não existia quando comecei. Me sugeriram de lá da matriz começar a catequese nesta capela”, conta.

Após se aposentar no estado e parar de dar aula, Glória continuou na doutrina. “Eu dava catequese na escola, mas era para formar a comunidade. Ao invés das crianças irem a pé até a matriz, que é longe, o padre sugeriu de dar a doutrina na escola e depois no Sesi. A capela começou no Sesi, que cedeu uma sala para fazer a missa, até construir a capela”, continua.

Anos depois, Glória voltou para a igreja matriz e começou a ser catequista da pastoral do batismo. Lá, foi coordenadora do setor de toda a paróquia São Luiz Gonzaga.

Hoje, ela ainda é coordenadora da pastoral do batismo, mas na comunidade do Jardim Maluche, onde também é catequista. “Os meu catequizandos agora trabalham comigo. São histórias que vão acontecendo”, contempla.

Além disso, Glória coordena um movimento chamado Apostolado da Oração. ”Para você ser catequista esse tempo todo, e ter uma fortaleza na sua alma, é preciso rezar”, afirma.

Dona Glória

Nascida um pouco antes da meia-noite de 15 de agosto de 1943, dia de Nossa Senhora da Glória, a dona Glória foi registrada no dia 14. Contudo, recebeu o nome em homenagem à data. “Eu comemoro aniversário nos dois dias”, conta.

Quando começou a dar catequese, ela já era casada com Samuel Sidnei Almeida, falecido há 32 anos. Com ele, teve três filhos: João Carlos; Ana Carolina Almeida Girardi, hoje coordenadora paroquial da pastoral do batismo na Paróquia São Luís Gonzaga; e Sandra Simone Almeida Maçaneiro, que é ministra da eucaristia, catequista e professora em Itapema.

De base religiosa, a casa da devota foi transformada: a sala de estar virou um oratório. “Quando acordo eu venho para cá, me encontrar comigo, com Deus e depois eu vou para academia, pois também é importante se exercitar, depois vem alimentação”, orienta. Atualmente, dona Glória ama praticar natação.

Ela conta que, após a morte do marido, lecionou ensino religioso no colégio São Luiz por 12 anos. Ela também foi coordenadora de um programa na antiga Unidade de Coordenação Regional de Educação (UCRE), atual Coordenadoria Regional de Educação (CRE).

“Me aposentei aos 48 anos pelo estado e aos 60 pelo INSS, no Colégio São Luiz. E não parei”, diz rindo. “Aposentei e comecei a trabalhar no Comad [Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas], por onde atuei por seis anos”, acrescenta.

Vida de fé e educação

Com grande orgulho, ela recorda de momentos em que encontrou ex-alunos, hoje profissionais de diversas áreas. Para ela, ao observar a carreira, a sensação é gratificadora, mas, ela pondera que também encontrou espinhos pelo caminho.

“Nós temos que saber carregar a nossa cruz. Se com qualquer coisinha que acontecer na sua carreira você desistir é porque você não carregou a cruz como Cristo carregou. Temos dificuldades, mas temos que ver quem nos ajuda e carregá-las até o fim. Aí seremos bons, daremos frutos e seremos felizes”, diz.

“Tudo o que você fizer, tem que ser por amor. Eu abracei ser professora aos 16 anos porque gostei. Hoje, meus alunos estão com mais de 60 anos e, se eu nascer de novo, serei professora de novo”, complementa.

Mas é na catequese que o coração de dona Glória bate com mais intensidade. “Vou fazer 80 anos com plena saúde, com a graça de Deus, e me sinto feliz em ser catequista por tanto tempo em minha vida. E não tenho pretensão de parar, porque faz parte da minha vida e a minha história”, finaliza.

Fonte

O municipio

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