CatequeseOutros assuntos

Carta de Dom José Antônio Peruzzo aos catequistas

Mais uma vez me apresento para um reconhecimento afetuoso e repleto de gratidão, neste Dia do Catequista a ser festejado no dia 28 de agosto. Faço-o em nome da Comissão Bíblico-catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Nunca é demais recordar, querido irmão e irmã catequista, que a Catequese, juntamente com a Liturgia e a Pregação dos Apóstolos, está na base da formação do Novo Testamento. Em outras palavras, o que hoje temos por Palavra de Deus foi antes Catequese dos primeiros cristãos. Cada Catequista de hoje está em linha de continuidade com aquelas vivências mais apaixonadas e alegres da fé partilhada nos primeiros dias da nossa Igreja.

O evangelista Mateus, aliás um excelente catequista, pode nos ajudar a compreender o sentido deste nosso “ministério”, como chama um outro catequista por excelência, o Papa Francisco. “Ide… fazei discípulos… ensinai” (Mt 28,19.20). São as últimas palavras do Senhor.

E a catequese está no centro da missão para a qual Ele constituíra os seus enviados. Mas também um outro evangelista, desta vez Marcos, nos recorda o caráter precioso da missão do próprio Senhor: “Tomado de compaixão… começou a lhes ensinar muitas coisas” (Mc 6,34). Queridos Catequistas, seu ministério não é mera “colaboração” com a comunidade. É parte constitutiva da própria identidade da Igreja.

Mateus diria que a Igreja que valoriza a catequese e seus catequistas será rica de sua identidade missionária. Marcos, por sua vez, diria seria uma rica das compaixões do Senhor por seu povo. Eis aí, nobres Catequistas, o traço feliz que podem vocês conferir à dimensão evangelizadora da Igreja. Isso não escrevo por mero elogio de ocasião.

É para ajudá-los a despertar para a nobreza do que o próprio Senhor lhe reservou já naquele primeiro convite que lhe chegou para tornar-se Catequista. Lembra quando foi? Lembra por que aceitou? O que no início pareceu “generosidade de quem quis ajudar” é hoje missão de aproximar o Senhor Jesus aos catequizandos e de aproximar os catequizandos ao seu Senhor. Será preciso amá-Lo. E amálos.

É verdade que há situações de desânimo, de cansaço, de desencorajamento. Também de lágrimas, de incertezas, de incompreensões… Mas Paulo, outro Catequista dos primeiros tempos da Igreja, e dos bons, também ele ferido por adversidades e até rejeições, pediu ao Senhor que o poupasse de certas dificuldades.

Mas parece que o mesmo percebeu que um caminho marcado por facilitações arrisca ser pobre da força de Deus. Veja o seu testemunho: “Basta-te a minha graça; pois é na fraqueza que a força se realiza plenamente… Com efeito, quando sou fraco, então sou forte” (2Cor 12,9-10). Nunca dialogou com Paulo sobre certos entraves na Catequese? O Espírito de Deus que o acompanhou ontem, quer sustentá-lo ou sustentá-la no ministério catequético hoje.

Ahh… estava esquecendo. Percebeu quanto a Iniciação à Vida Cristã confere e projeta luzes transfiguradoras para a sua missão de Catequista e para a evangelização? Há maravilhas pelo Brasil afora. É provável que alguma experiência feliz tenha acontecido em sua paróquia, ou na Diocese, ou nas vizinhanças. Recomendo-lhe vivamente de ir até lá para conhecer, para ouvir, para perguntar, para aprender… São testemunhos maravilhosos. Afloram muitos e criativos encantos pela evangelização.

Dom José Antônio Peruzzo
Arcebispo de Curitiba – PR
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a
Animação Bíblico-Catequética

Postagens relacionadas

Pesquisa nacional busca saber como está a Catequese no Brasil

Eraldo

Os catequistas são ‘evangelizadores de primeira linha’, diz Dom Odilo

Eraldo

Leigos Catequistas: Ministros da Igreja

Deixe um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você esteja de acordo com isso, mas você pode optar por não participar, se desejar. Aceitar Leia mais

Politica de privacidade & Cookies