IgrejaSantos & Devoções

São Carlos Caetano Calosirto

Carlos Caetano Calosirto, filho de pais nobres e ricos, nasceu em1654 na cidade de Ponte, ilha de Ischia, Itália. Já na infância recolhia-se a maior parte do tempo num quarto mais retirado da casa, onde colocou um pequeno altar em honra da Santíssima Virgem.

Desejando para ele uma melhor formação religiosa, os pais o enviaram para estudar com aos agostinianos de Ischia. Ali, quando por motivo de estudo tinha que se juntar a outros jovens, evitava as más companhias, querendo preservar a inocência, bem como combatia a vaidade, a mentira e a superficialidade.

Admirador de São Francisco de Assis, quis imitá-lo, e em 1671 entrou para a Ordem dos Franciscanos Descalços, conhecidos como “Alcantarinos” (porque eram oriundos da Reforma de São Pedro de Alcântara), no convento de Santa Luzia no Monte, em Nápoles. Adotou então o nome de João José da Cruz. Identificou-se com a maior austeridade destas regras, e por isso decidiu ficar sempre descalço. Havia, então, uma divisão entre os alcantarinos da Espanha e da Itália.

Em 1671 foi enviado com 11 irmãos para Piedimonte d’Alife, a construir o primeiro convento da Ordem. Eram muitas as dificuldades. João José começou a construção sozinho, juntando pedras com as próprias mãos e trabalhando com a enxada, cal, madeira, até fazer os alicerces. Inicialmente pensaram que estava louco, mas depois os outros religiosos e o povo o ajudaram, e o convento foi erigido em tempo recorde. Construiu-se também um pequeno eremitério, ainda hoje meta de peregrinações, chamado “A Solidão”.

Em 1677 foi ordenado sacerdote, logo depois mestre dos noviços e, aos 24 anos, guardião da Ordem do convento de Piedimonte. Construiu um outro local para retiro, chamado “ermo”, num local isolado na encosta do bosque. E também o convento do Granelo em Portici em Nápoles.

Foi nomeado em 1702 vigário provincial e geral da Ordem Franciscana de Nápoles, seguidores da reforma alcantarina, o que o permitiu abrir várias casas religiosas. Com isso a ordem cresceu, também em santidade, em toda a Itália. Esta fama chegou à Santa Sé, e, com o peso dos seus 20 anos de trabalho, os alcantarinos da Espanha e da Itália se reunificaram. Isto lhe custou muitas injustiças e calúnias, ao que respondia com voto de silêncio, dizendo: “Tudo o que Deus permite, permite para o nosso bem.”

De volta a Santa Luzia, o arcebispo Francisco Pignatelli o convocou para dirigir 73 mosteiros e retiros na região de Nápoles, onde restaurou a disciplina religiosa. Por isso recebeu a mesma incumbência para a diocese de Aversa. Recebeu de Deus a graça se realizar bilocações, profecias, perscrutar corações, levitações, curas milagrosas e até uma ressurreição.

Vivia em grande austeridade. Seu quarto continha apenas um crucifixo, uma imagem da Virgem, de quem era profundo devoto, um livro de orações e um “leito” – dois pedaços de couro e uma coberta de lã. Usou por 65 anos, até a morte, um único hábito de pano grosseiro, sempre remendado, e por isso era chamado de “frade dos cem remendos”. Comia pouco, uma vez ao dia; dormia pouco, acordando à meia-noite para rezar.

São Francisco de Jerônimo e Santo Afonso Maria de Ligório o conheceram e lhe pediam conselhos. Faleceu aos 84 anos em Piedimonte d’Alife e foi sepultado no convento de Santa Luzia. É padroeiro de Ischia, juntamente com Santa Restituta.

Reflexão:
Muitos são os bons exemplos de São João José da Cruz. A busca constante do silêncio para estar a sós com Deus, o desapego das coisas materiais, a austeridade de vida, levados a graus heroicos, mas que todos devem seguir na própria medida. Desta autodisciplina, pôde, com a constante devoção a Nossa Senhora – característica de inúmeros santos – orientar e disciplinar os demais, inclusive outros santos.

Sobretudo, devemos imitar a sua busca de união espiritual, a começar pelos irmãos de fé e na fé, e o constante remendar das nossas faltas: a túnica de Cristo, inconsútil (e feita por Maria), é o nosso ideal, mas não sendo perfeitos como Ele, devemos, como São João José, consertar sem desânimo os rasgos da nossa veste espiritual, na oração, confissão e Eucaristia, pois são inevitáveis as nossas quedas ao carregar a Cruz, seja circunstancialmente no nome, seja certamente na vida.

Oração:
Senhor, Uno e Trino, que tudo criastes por Vós mesmo, concedei-nos pela intercessão de São José da Cruz a iniciativa de, mesmo que sozinhos dos demais, porém sempre Convosco, construir os alicerces das Vossas obras, para que sejam abrigo dos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.

source

Postagens relacionadas

São Raimundo de Peanafort

Catequese não são aulas

Lua

Por que existe uma festa para todos os Santos?

Lua

Deixe um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você esteja de acordo com isso, mas você pode optar por não participar, se desejar. Aceitar Leia mais

Politica de privacidade & Cookies