A figura de Cristo

1ª parte
Cristo
não é apenas o fundador do cristianismo e da Igreja, mas também é o modelo de vida humana, vivida na sua plenitude. Modelo inatingível, com efeito, Ele é o próprio Deus, mas, certamente perto e imitável, pois Ele é homem verdadeiro (Gl 4,4), “o homem” por excelência, como mostra João ao apresentá-lo pela boca de Pilatos:

“Eis o homem!” (Jo 19,5). E Paulo, comparando-o com Adão, o primeiro homem, apresenta-o como o novo Adão e definitivo, que deu início a uma nova humanidade e a uma nova maneira de viver segundo Deus (Ef 4,21-24). Jesus surgiu no mundo em uma data determinada, “enquanto Quirino era governador da Síria” (Lc 2,2), numa família humana, a de “José, da casa de Davi” (1,27), radicado “numa vila da Galileia chamada Nazaré” (1,26).

Sobre sua aparência externa nada sabemos: os evangelhos silenciam. Os hagiógrafos falam de seu “olhar penetrante” (Mc 3,5), de como acolhia as crianças (Mt 19,2; Lc 18,15), de sua a aproximação aos doentes (Mt 4,26), de como recebia as pessoas mais pobres e marginalizadas (Lc 7,34), de sua delicadeza e respeito para com as mulheres (Jo 8,1-3.11), de sua indignação perante as injustiças sociais e a corrupção (Lc 13,32), de sua ira perante aqueles religiosos que manipulavam a palavra de Deus a fim de fatura (Jo 2,15), de seu porte majestoso, que lhe granjeava a admiração do povo simples e humilde (Lc 11,27-28). Talvez, o mistério de sua figura humana seja um meio encontrado por Deus para nos revelar que Jesus estava acima de qualquer característica racial e étnica, pois, Ele é o homem universal: cada cultura e arte o podia retratar de acordo com as características de sua cultura e o grau de sua civilização.

            Sua intensa atividade missionária, durante os três anos de sua vida pública, sugere que Ele tinha um forte porte físico, resistente às circunstâncias mais adversas. Ao mesmo tempo, Ele se apresenta com traços físicos normais: Seu caráter não é propenso à visões ou alucinações; mostra-se perfeitamente integrado na sociedade de seu tempo; é sensível às amizades e à hospitalidade; nas parábolas mostra-se fino observador da natureza e dos costumes de seu tempo. Revela-se como conhecedor profundo do coração humano e de suas mais autênticas aspirações: lê no íntimo das consciências e descobre as armadilhas de seus inimigos; orienta o homem para a interioridade e o amor; sabe corrigir as convicções erradas de seus seguidores e aponta com clarividência o caminho perante a opressão de seu povo.

            Aos seus prepõe os mais árduos e nobres ideais, como o sacrifício de si próprio a favor dos outros, o perdão das ofensas, o amor aos inimigos, a transparência interior e exterior, a fidelidade, a virgindade, o serviço gratuito e generoso a favor das camadas mais desprotegidas da sociedade. Ele, porém, não é um idealista, que confia cegamente no êxito de seu programa; sabe que os homens são maus e propensos à inconstância; tem consciência de pagar caro pelo que Ele ensina; sabe, também, que um futuro sombrio de perseguição e martírio é reservado para seus discípulos. Não vive em um mundo de fantasias e ilusões; é sumamente calmo e realista; não grita: é tolerante perante as limitações dos seus. E mais ainda: doa àqueles que o amam e seguem um amor tão grande que por eles sacrifica sua jovem vida.

Pe. Ernesto,
Paroquia São José - SAD


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