A economia de Francisco

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    Os jovens do mundo inteiro foram interpelados por Papa Francisco para refletir sobre um novo modelo econômico, pois a atual crise humanitária evidenciou, de modo equivocável, que o modelo econômico neoliberal, que nos rege,

é um sistema falido e gerador de pobreza, incapaz de garantir a equidade social, o acolhimento da vida, o cuidado da família, a dignidade do trabalhador e o respeito pelo meio ambiente.

    “Esta pandemia –afirma Papa Francisco – nos pede para sermos corajosos em criar uma economia, que permita a todos viver dignamente e que consiga integrar na nossa sociedade as categorias sociais mais vulneráveis e descartadas, dando a elas vez e voz nas decisões que lhes dizem respeito”. Bem-comum, dignidade humana, solidariedade, compaixão são os grandes ideais, que devem acalentar o coração das jovens gerações.

    “Enquanto o nosso sistema econômico-social descartar uma só pessoa, não poderemos celebrar a festa da fraternidade (Fratelli Tutti, 110). Este Encontro Internacional, cujo tema é “ A Economia de Francisco”, vai realizar-se na cidade de Assis, a cidade do “Poverello”, na Itália, nos próximos dias de 15 a 20 de setembro, encontro coordenado por Joseph Stiglitz, um dos maiores sociólogos norte-americanos. Papa Francisco fez suas as palavras de Dom Helder Câmara: “Se eu doar uma cesta básica a um pobre sou chamado de santo; se eu vou à procura das causas da pobreza sou tachado de comunista”. “É possível –diz ainda Papa Francisco– sonhar com uma humanidade diferente, que garante terra, teto, trabalho e pão para todos?”.

     O sistema neoliberal procura reduzir ao máximo a presença do Estado na vida do cidadão e, forjando uma crise que não existe, entrega todo o patrimônio da nação ao capital nacional e internacional. Quer vender aos privados as Estatais: Eletrobras, Petrobras, e até mesmo o Banco do Brasil e a Casa da moeda. Portos e aeroportos, estradas de ferro, a água e o saneamento básico já foram entregues. A emenda constitucional, PEC 95, tirou por vinte anos a capacidade do Estado em investir, deixando à iniciativa privada o desenvolvimento da nação.

    As corporações financeiras, para investir, fazem e x i g ê n c i a s muito duras! A reforma trabalhista foi feita para diminuir o custo da mão de obra e fazer com que as pessoas trabalhassem mais e tivessem um menor poder de negociar o valor de seu trabalho; dificultou, ao máximo, o combate às ilegalidades, que, com tanta frequência, se cometem nas relações trabalhistas. Também, a reforma da Previdência Social teve por finalidade privatizar o nosso futuro. Em andamento estão a reforma tributária e administrativa, que têm o mesmo objetivo: privatizar a saúde, a arrecadação de impostos e a formação das jovens gerações.


    Tirando o poder do Estado, o cidadão fica à mercê da iniciativa privada, que trata o ser humano como um número. ” A economia neoliberal é uma economia que mata, exclui e desumaniza” – afirma Papa Francisco na “Evangelii Gaudium” (n.53). Grande é o desafio que Papa Francisco lança às jovens gerações: implementar uma economia que defenda e promova a vida, que inclua as categorias mais frágeis da sociedade, que humanize os nossos relacionamentos sociais e cuide da criação.

Padre Ernesto Ascione é missionário comboniano
e vigário cooperador da paróquia São José, Serra - ES.

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