Religião: Escravidão, servidão ou Liberdade?

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Religião: Escravidão, servidão ou Liberdade?
Sempre que posso leio artigos sobre religião, ela acompanha o homem desde o princípio e as pessoas a enxergam de diversas maneiras. Uns a seguem como fuga, outros, para dar impulso as suas ações e outros tentam através dela encontrar explicações para aquilo que acreditam ser inexplicável, opiniões é que não faltam, li um comentário de alguém sobre religião que diz o seguinte:

“Religião é uma das coisas mais estúpidas que existe na face dessa terra podre”. 

Religião causa guerra. Religião bitola as pessoas. A religião é preconceituosa. Religião causa miséria. Religião propaga a ignorância dos humanos. A Igreja concentra terras, rouba e transforma o povo em “gado”. Impõe idéias arcaicas e priva as pessoas de pensarem. A Igreja pratica política suja e condena quem se opõe a ela. E quem a enriquece que descanse em paz quando morrerem. Não falo da Universal, da Católica, ou qualquer outra dessas por aí. 

Todas são iguais. Países vivem em guerra por causa dela. Religião é uma praga “Religião é veneno”.

Bom, eu mesmo já fiz uma crítica onde comparei a religião como droga, suas práticas, um vício e seu comércio, um tráfico. Realmente são duras essas declarações, mas, quem não viveu isso um dia que atire a primeira pedra. É doloroso vermos pessoas acreditando que a religião é a resposta para a felicidade, e que ir à igreja ou realizar práticas é a única maneira de ter o favor de Deus. Estudando sobre crenças e religiões, concluí que todas, têm algo em comum, a “escravidão” e somente a verdade contida na palavra de Deus pode libertar.

Quando eu falo de escravidão a noção que temos é aquela vivida nos últimos séculos baseada na cor da pele ou raça onde os donos de escravos acreditavam que os negros eram inferiores e sem alma. Os Hebreus também viveram esse drama, eles não eram escravos por escolha e sim porque eram Hebreus, mas o termo escravo ou servo usado mais tarde era muito diferente. 

As pessoas não eram servos por causa da raça. Algumas pessoas escolhiam serem escravas para ter as suas necessidades providas pelo seu senhor. O escravo em Israel tinha direitos (Êxodo 21.20,21; 23.15,16), o que diferencia da escravidão praticada baseada na raça.

Aquele que era liberto recebia provisões para recomeçar a sua vida. A atitude dos Israelitas para com seus escravos estava fundamentada no fato de Deus ter resgatado os Hebreus da servidão no Egito. 

A Bíblia nos fala que todos nós, independente de classe social, somos escravos ou servos de Cristo (1Co 7.22,23) e sendo servos de Cristo somos livres e não devemos ser servos dos homens, algo que é quase impossível de acontecer dentro do sistema religioso. As religiões portam-se de forma diferente a cada dia que passa, possuem canais, jornais, promovem seus senhores, divulgam atos e fatos em todo o mundo, usam os princípios religiosos para estabelecer leis e gerarem mais servos.

Fecham o reino de Deus e exploram a boa fé dos que acreditam ser necessário dar o que tem aos seus senhores como se eles fossem mediadores entre o homem e Deus. E o fiel faz questão de demonstrar sua fé em público, defendem sua crença classificando-a como “verdadeira” e tentam convencer os outros a adotá-la fazendo prosélitos e condenando os ao inferno duas vezes mais. As religiões ignoram a alma dos fiéis como se eles não a tivessem. Elas investem em ações mundanas e prestam serviços que nada tem a ver com a salvação da alma. E o Evangelho não faz outra coisa senão dizer que Deus nos libertou e nos liberta em Cristo. 

Agora quando afirmamos que todas as religiões escravizam seus fiéis é porque o deus apregoado pelos religiosos é ilógico e contraditório. A visão irracional que se tem desse Deus opressor, vingativo e seletivo, foge da razão. Isso é lastimável porque em todas as crenças vemos pessoas depositando uma fé sincera para encontrarem respostas espirituais para as coisas que vivem sem falar nas regras a serem obedecidas do “não faça isso” e “não faça aquilo” e a grande forma de ganhar dinheiro que as instituições religiosas fazem. Será que Deus é um investimento financeiro, você manda a sua grana pra Ele, e Ele devolve com juros e correção?

Eu tenho muita pena dos que acreditam nisso. Existem casos absurdos, como por exemplo: os Pastores empresários (é, não tem como não citá-los) que convencem as pessoas a entregarem todo o salário como “oferta voluntária” a Deus. É claro que Deus nunca irá descer do céu pra pegar o dinheiro, mas os mediadores que estão ali pra fazer essa ligação prometem entregar em mãos para o destinatário, certamente com um jatinho particular.

Realmente, não é fácil viver o Evangelho nos dias de hoje, e aí surge a pergunta:

O Cristianismo é uma religião? Escraviza? Não, o Cristianismo não pode ser definido como uma religião e não escraviza seus adeptos, pelo menos deveria ser este o princípio ainda nos dias de hoje. Vejamos Jesus, será que ele queria fundar uma religião? Não, Jesus já tinha uma e não pensava em escolher outra. Era um Judeu, e o que o incomodava era aquilo que os Judeus praticantes da religião faziam com a fé em Israel. Havia distorção e deturpação da imagem de Deus que os que acreditavam serem donos da religião, do templo e da lei haviam feito. Colocavam sobre os ombros do povo um peso impossível de carregar, uma crueldade com as pessoas mais simples que não conseguiam cumprir os preceitos da religião por não terem condições de fazê-los. Jesus percebia que os do povo eram declarados sem Deus, doentes, leprosos, pecadores, pessoas tratadas como cidadãos de segunda classe.

E foi justamente para esses que Jesus anuncia a boa notícia, o Reino é para eles também. E serão os primeiros a entrar, pois se reconhecem pecadores. Jesus não queria atacar a religião de seus pais. Desejava apenas que a Aliança que sustentou a história e a caminhada de Israel quando foram libertos pudesse continuar e por isso foi considerado blasfemo por colocar em perigo a religião em vigor no Templo. Então o mataram, e não foi um grupo de bandidos fora da Lei, e sim homens “de bem”, guardiães da ordem e da religião local. Temiam que ele acabasse com aquilo que lhes dava poder. 

A proposta de Jesus não era a de fazer seguir uma nova, e sim um caminho, o caminho da Salvação, com isso Jesus deslocava o eixo da presença de Deus apenas no Templo e encaixava no ser humano. Anunciava a boa notícia, “sereis livres se conhecerem a verdade”. Com a morte de Jesus e o testemunho de sua ressurreição, seus seguidores começaram a anunciar seu nome, e um movimento de fé começou a criar- se em torno dele. Mas essa fé necessitava de algo mais para sustentar-se, crer sem sinais era pouco. Por isso adotou-se ritos do judaísmo e acrescentaram outros.

O Cristianismo nascente tentou ficar somente dentro da sinagoga, religião é isso, ela se fecha. Mas glória a Deus que isso não foi possível, Paulo, escolhido por Jesus, Judeu filho de Judeus, circuncidado ao oitavo dia, da tribo de Benjamin e formado aos pés de Gamaliel foi quem rompeu as ataduras da religião e foi aos gentios. Espalhou-se pelo mundo a Boa notícia.

Aquilo que começou com o carpinteiro fazedor de milagres é a única ligação entre o homem e Deus, o poder de Deus pela palavra da Cruz, palavra que liberta. O Cristianismo não é uma religião e não escraviza, embora muitos classificam como tal, Ele é a saída da religião, é um caminho a seguir baseado no amor, renúncia e entrega, é uma maneira de viver, nos princípios de Jesus que passou pelo mundo para libertar. Cristo liberta, o homem escraviza! Portanto a verdadeira fé em Cristo é a saída da religiosidade, é a Graça de Deus manifestada ao homem. Cristianismo mal praticado sim vira religião, escraviza e mata!

Bom, isso me fez rever alguns pontos sobre a escravidão no Brasil colônia, resolvi comparar essa situação dentro das religiões aí percebi que tudo girava em torno do senhorio que controlava seus escravos. O senhor do engenho, um homem rico e poderoso, que passava a maior parte do tempo deitado na rede, cochilando e copulando com as escravas para gerar mais servos e mais mão de obra, quando saía a passeio ou em viagem, o negro era seus pés. O sinhô não precisava levantar-se da rede para dar ordens, bastava gritar “eu ordeno”. Uma situação bem atual onde eu definiria da seguinte maneira:

“A casa grande” são os suntuosos templos e as sedes; “senzala” as filiais, as estacas, as comuns; “o capitão do mato” os chamados missionários que saem em captura de mais um pensando em receber recompensa divina, e os “quilombos” comunidades formadas por aqueles que fogem do sistema em busca de liberdade! Se você acha que eu exagerei tem mais, em alguns casos dentro da religião é necessário até que tenha uma carta de autorização de um Senhor para outro, para o fiel exercer sua fé em outro local, seria uma “carta de alforria”? Bom se é eu não sei, só sei que éramos escravos, do pecado e fomos comprados por um bom preço (I Cor 7,23).

Então eu pergunto: 

Necessitamos, como alguns de cartas?
Vós sois a carta de Cristo, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo (II Cor 3-1,3). E onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade. (II Cor 3-7)
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